No banco

8 08UTC fevereiro 08UTC 2010 por Felipe Rodrigues

Chego, pego a senha e desço até os caixas. Sim, como as masmorras, o sofrimento no banco que freqüento também acontece no subsolo. Quinze pessoas já estão por lá. Todas devidamente acomodadas em cadeiras. Silêncio.

São dois caixas. Somente um funciona. Como eu já esperava por isso, tentei relaxar. Era dez e quinze da manhã e eu já sentia a irritação no ar. Prometi a mim mesmo que não reclamaria. Afinal, aqui em SP nenhuma lei rege o tempo de atendimento das agências bancárias – a que existia foi revogada. Sem contar que, quando existe, a lei nunca é cumprida. No máximo, o PROCON vai lá, multa a instituição e pronto. Dinheiro não é problema para o banco, certo?

E, para falar a verdade, eu não me importo com leis. No Brasil eles existem por algum motivo que desconheço. Também já perdi a esperança de ser bem atendido nesse lugar desgraçado. Se toda vez que vou lá é para deixar o meu suado dinheiro, o desejo de ser tratado com dignidade não faz o menor sentido.

Como a perna direita do Roberto Carlos, o tempo vai se arrastando. Todo mundo começa a se coçar nas cadeiras. A raiva se concentra na garganta.

As coisas se agravam quando idosos e gestantes aparecem. E é óbvio que eles são atendidos com preferência, nada mais justo. Mas um caixa para atender a todos? Isso não é correto. Quem necessita de atendimento especial também é desrespeitado.

Uma hora se passou.

De repente, uma senhora recém chegada pergunta a um homem − que já estava por lá há tempos − como funciona o atendimento naquela agência. Ele foi curto e grosso: “olha, se você não é velha, aleijada, nem tem uma porcaria de criança, você recebe o tratamento comum, que é ficar esperando como um idiota…”.

Corta.

Depois do surto do homem, a fila andou milagrosamente. Fui atendido e logo depois voltei tranqüilo para casa, como se a minha cólera tivesse sido exteriorizada por um terceiro. Pensei nas palavras daquele homem irritado e percebi que nada vai mudar no atendimento bancário até eu ser um velho caquético. Até lá, torço para que tudo mude. Que a consideração para com cliente aumente ou que o sistema quebre. Só não quero ficar aleijado, muito menos ter uma porcaria de criança.

Vídeo da semana

7 07UTC fevereiro 07UTC 2010 por Felipe Rodrigues

Ícones da filosofia

5 05UTC fevereiro 05UTC 2010 por Felipe Rodrigues

Vida Breve

2 02UTC fevereiro 02UTC 2010 por Felipe Rodrigues

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1 01UTC fevereiro 01UTC 2010 por Felipe Rodrigues

Vídeo da semana

31 31UTC janeiro 31UTC 2010 por Felipe Rodrigues

Cidade úmida

29 29UTC janeiro 29UTC 2010 por Felipe Rodrigues

Muita água - foto retirada do blog http://joseafcastro.wordpress.com/

Chove em São Paulo há mais ou menos seis meses. Até precisei consultar o dicionário para escrever “sol”.  Tá, to exagerando um pouco, mas lá se vão 37 dias ininterruptos de precipitações. E essa chuvarada traz muitos transtornos, prejuízos e mortes. Como vocês podem perceber, ainda não fui soterrado, nem morri afogado e o meu apartamento ainda não foi invadido pelas fétidas águas que insistem em se acumular pela city.

Mesmo assim, de um jeito ou de outro, todo mundo acaba prejudicado pela equação água em demasia + incompetência das autoridades – educação do povo. O resultado é mostrado à exaustão diariamente pelo noticiário. Prevenir-se é quase impossível, assim como deixar de sair de casa. E um deslocamento simples, de poucos quilômetros, transforma-se em uma verdadeira saga.

É difícil saber quem está em situação pior. O usuário do transporte coletivo, que espera horas no ponto para ficar outras tantas parado no trânsito em um busão lotado. Ou o motorista que pode perder, num piscar de olhos, parte de seu suado patrimônio / ferramenta de trabalho. E a vida continua. Tem que continuar. Quem tá a pé precisa ser bom de braçada para poder ir embora. Nem galocha, nem capa ou guarda-chuva resolvem. Isso é coisa da temporada passada. O lance agora é usar snorkel. Quem não leva jeito com esportes radicais faz o que deve ser feito: espera onde está até a água baixar. E quem tem a casa invadida? Nada até o meio fio e chora, pedindo misericórdia para Deus. Para quem mais?

Veneza é aqui
Enquanto isso, o pessoal da periferia se acostuma com uma nova situação (não tão nova, mas agora constante): viver com água pela canela. O Kassab vai lá, dá uma olhada e, quando a coisa engrossa, sai de fininho. Ok, ele usa helicóptero. Com as palavras, o prefeito é escorregadio. Um peixe fora d’água. Ele diz que a culpa é da cidade, que cresceu desordenadamente – sério? – e das chuvas. Ora, é óbvio que ele ainda não consegue controlar a fúria do clima. Então fica um a um. E todo mundo torce para que a chuva pare. Mais um ano se passa e a gente só vai precisar esquentar (ou molhar) a cabeça de novo no ano que vem. Boa!

José Serra parece ter achado no prefeito um ótimo leão de chácara. Kassab ta levando tudo nas costas, dando a cara a tapa sozinho e pagando por erros que também são do estado. Serra faz uma ou outra visita e mais parece um candidato do que o governador já eleito para RESOLVER problemas. Na verdade, ele tá tentando se blindar para as eleições desse ano. E só. 

Soluções
Na prática, Kassab – sempre ele − exigiu que as empresas responsáveis pela coleta do lixo cumpram  o serviço no horário. Mas o prefeito esquece que se as ruas estão alagadas, o caminhão de lixo não consegue fazer o que precisa. Quando ele consegue chegar, a chuva já resolveu a treta. Sem contar que em muitas regiões a população não tem acesso à coleta dos detritos, nem educação suficiente que as impeça de jogar tudo na rua. E os piscinões? Até parece que ficarão prontos antes da próxima chuva. E que irão resolver tudo. Os piscinões só vão segurar a onda por mais um tempo se a impermeabilização do solo continuar a todo o vapor. E o círculo vicioso de uma cidade cheia de contradições continua. Não dá nem para dizer que São Paulo tá indo para o ralo, pois o ralo tá entupido.

Delírios a granel – www.twitter.com/prorodrigues

Ícones do humor

27 27UTC janeiro 27UTC 2010 por Felipe Rodrigues

Ilustração para o Vida Breve

25 25UTC janeiro 25UTC 2010 por Felipe Rodrigues

Olá, personas. Como vão? A partir de hoje eu começo a publicar algumas ilustrações feitas para as crônicas da escritora Tatiana Salem Levy no site Vida Breve. Nós publicamos toda sexta, mas todo dia tem coisa nova por lá. Dá um conferes.

Vídeo da semana

23 23UTC janeiro 23UTC 2010 por Felipe Rodrigues